Em preto e branco
Senti saudades de você, que mal conheço. Nem pude ouvir a sua voz. Ah, naquele dia tudo ficou preto e branco. Como os clássicos do cinema. Só o seu sorriso não era datado. Daria tudo para que aquele momento tivesse sido eternizado. Teria uma lembrança sua. E em preto e branco.
Não sei quem você é. Essa curiosidade que me mantém vivo. Tamanho mistério faz meu coração descompassar loucamente. Simetria não mais. Nada mais faz sentido. Imaginar-te chorando já me deixava triste. É verdade, nem te conheço. Mas memorizei seu sorriso. E em preto e branco. Penso em como seria legal a gente ver São Paulo lá de cima, descalços, olhando a cidade envelhecer. Ver o pôr-do-sol cinzento em cima de um viaduto, de preferência em construção. Ver a fidelidade do cachorro com o seu companheiro de rua e sua caçamba de duas rodas. Fazer qualquer coisa, até mesmo nada. Ver o preto e branco do céu. Chorar naquele filme. Ouvir aquela música. O que mais dói é saber que você existe mas não sei quando poderei te encontrar.
E se um dia isso acontecer, vou tirar aquela foto preto e branco. E eternizar um momento de verdade.
